Isabele Antunes tem 24 anos e já testou mais carreiras do que a maioria testa empregos: foi modelo, trabalhou com mecatrônica e manutenção de aviões, morou em Amsterdã — até fincar bandeira no marketing, área em que atua há seis anos e hoje comanda a Amisa, agência 360 focada em branding e estratégia. Na conversa que tivemos, ela trouxe um alerta que a maioria dos times de marketing brasileiros ainda não levou a sério: o Google deixou de ser o único juiz de quem aparece — e quem desaparece — na internet.
Se eu procurar "empresários de tecnologia" numa IA, o seu nome tem que aparecer. Se não aparecer, falta uma estratégia de GEO por trás.
— Isabele Antunes
O Que É GEO e AIO — e Por Que SEO Sozinho Não Basta Mais
Durante quase vinte anos, a métrica que decidia se um negócio existia digitalmente era a primeira página do Google — o jogo do SEO clássico: otimizar um site para os critérios de indexação de um buscador. A chegada dos LLMs — os modelos de linguagem por trás do ChatGPT, do Gemini e do Claude — abriu uma segunda frente, que Isabele resume em duas siglas: GEO (Generative Engine Optimization) e AIO (AI Optimization). A pergunta não é mais só "estou na primeira página?". É "a IA me recomenda quando alguém pergunta sobre o meu mercado?"
GEO e AIO adaptam a lógica do SEO ao mundo dos modelos de IA generativa: em vez de otimizar para uma lista de links, a estratégia otimiza para ser citado dentro da resposta de um chatbot. A vitrine deixou de ser o resultado de busca — agora é a frase que a IA decide te dar.
Como Começar a Aparecer nas Respostas de IA
GEO ainda é um campo novo, mas já tem práticas que funcionam — e que qualquer empresa consegue começar a aplicar sem reconstruir o site do zero:
- Conteúdo estruturado e direto — respostas claras a perguntas específicas do seu setor têm mais chance de ser citadas por um LLM do que textos genéricos de venda.
- Autoridade fora do seu próprio site — imprensa, portais e menções externas continuam pesando: é o mesmo princípio de link building do SEO clássico, só que agora treina a IA a reconhecer quem é referência.
- Consistência de informação — nome, especialidade e posicionamento precisam bater em todos os lugares onde a marca aparece online. IA generativa cruza fontes; informação inconsistente reduz a chance de citação.
- Presença ativa, não estática — perfis e conteúdos atualizados têm mais peso do que uma página institucional parada desde 2022.
O Medo Real de Quem Vive de Marketing
Isabele não escondeu o desconforto: resistiu à IA generativa no início e segue cética sobre o rumo do mercado. O risco que ela vê não é a tecnologia — é o marketing terceirizar a criatividade para um relatório pronto de IA e entregá-lo sem revisão, sem o "toque humano" que, para ela, é o que faz uma estratégia funcionar de verdade.
Eu ainda não concordo que a IA vai fazer o meu trabalho. Ela pode me ajudar, mas eu vou revisar o que ela vai fazer, eu vou dar o meu toque humano.
— Isabele Antunes

Amisa: Marketing 360, do Branding ao GEO
A Amisa cobre o marketing de ponta a ponta — de um perfil começando do zero a empresas que já têm equipe própria e querem reforço especializado em SEO, GEO e AIO:
- Estratégia e consultoria 360 — diagnóstico completo do estado atual de um perfil antes de qualquer execução.
- Social media e branding — incluindo rebranding completo quando a marca precisa de uma virada de chave.
- SEO, GEO e AIO — presença otimizada em buscadores tradicionais e em respostas de IA generativa.
- Relações públicas (RP) — articulação com portais e imprensa, incluindo matérias que reforçam o SEO de uma empresa.
Os Números Por Trás da Carreira
A parte mais reveladora da conversa não foi conceitual — foram os resultados. Quatro marcos resumem o que "marketing que funciona" significa na prática:
- De 8 mil para 14 mil seguidores em 1 ano — crescimento orgânico construído a partir de um senso real de comunidade, não apenas de postagens.
- R$2 milhões faturados em 1 dia — com uma ação majoritariamente offline, prova de que marketing digital sozinho não resolve tudo.
- De 55-57% para 69,5% de leads qualificados em 1 mês — numa campanha em que o volume também cresceu, invertendo a lógica do setor: normalmente, mais volume significa menos qualidade.
- Experiência internacional em Amsterdã — onde aprendeu a pensar estratégias orgânicas para mercados que não giram em torno de redes sociais, ao contrário do Brasil.
O Erro Mais Comum das Empresas Hoje
Perguntada sobre o principal erro que vê nas empresas, Isabele não hesitou: a pressa. O marketing sempre teve a cultura do "tudo para ontem", e a IA virou o atalho perfeito para alimentar essa pressa — ao custo de entregar o mesmo relatório genérico que qualquer pessoa, de qualquer área, conseguiria pedir a um chatbot.
Você pode chegar numa IA, pedir para ela fazer uma estratégia, e ela vai entregar. Não é o seu trabalho, mas você está entregando a mesma coisa que um profissional de marketing entregaria.
— Isabele Antunes
Conselho Para Quem Está Começando no Marketing
O conselho de Isabele para quem entra agora na área não é sobre ferramenta nenhuma: é sobre postura. Manter a mente aberta para aprender com quem sabe mais — mesmo que seja 1% a mais — e resistir à tentação de se especializar cedo demais em uma única frente, como social media. Para ela, o marketing é "muito vasto" e recompensa quem se torna versátil o suficiente para atuar em qualquer parte dele.
A conversa converge para um ponto: a tecnologia — um algoritmo de busca ou um LLM — muda a vitrine, mas não substitui a decisão de quem entende o negócio por trás dela. GEO e AIO são a estrutura nova. O julgamento humano continua sendo o que faz essa estrutura funcionar.
Nunca ache que uma ideia vai ser boba ou que não vai funcionar. Escute o que vem de dentro de você e não tenha vergonha de colocar para fora — é assim que o marketing extravasa.
— Isabele Antunes
